Rogério Barros de Lucena
A idéia de Educação Integral, tributária de Anísio Teixeira, é o que inspira a Educação de Tempo Integral hodiernamente, uma educação que sirva como “possibilidade de se construir uma escola de boa qualidade” (CHAVES, 2002).
Esse pensamento idealizado pelo grande pensador Anísio Teixeira é também o ideal de nós, Educadores. Desejamos que isso seja a inspiração direcionadora da política de implantação das Escolas de Tempo Integral.
A realidade é que, atualmente, a implantação da escola de tempo integral tem sido foco das campanhas eleitorais. No contexto da cidade de Palmas, vimos promessas apontando para a progressiva implantação da referida escola, mas é necessário refletir, primeiramente, sobre o que está por trás desse interesse, tendo em vista vivenciarmos um contexto de crises econômicas. Não podemos perder de vista que o modo de produção capitalista sobrevive da exploração da força de trabalho, nem poderemos abandonar o conhecimento de que a escola de tempo integral continua sendo uma utopia para os austeros educadores comprometidos com uma educação de qualidade.
Percebe-se que, por interesses capitalistas, essa escola pende ao objetivo real de confinar as crianças oriundas das camadas populares em salas superlotadas, em situações inapropriadas, para que seus pais possam produzir mais, e à vontade, para o “progresso da nação”. Não foi esta a intenção dos idealizadores dessa escola no Brasil. Com um breve olhar na história da educação brasileira verifica-se que “As escolas criadas por Anísio Teixeira e a geração de educadores a qual pertenceu, tanto nos anos 30 quanto nos ano 50 e 60, não foram vistas pelos alunos que as frequentaram como locais de confinamento” (NUNES,C.,2001,p.12).
Para Walderês Loureiro, Diretora da Faculdade de Educação da UFG, há um avanço com a implantação da escola em tempo integral, porém, ressalta o cuidado que se deve ter com esse modelo para não transformá-lo em um reformatório preventivo para os filhos de pessoas das classes empobrecidas. “Há um preconceito em relação aos filhos da classe trabalhadora, e corre-se o risco dessas escolas serem vistas como um meio de tirar estas crianças do crime, como se elas fossem bandidas”.
Nesse pensamento, observa-se que a comunidade palmense pouco sabe que as crianças estão entregues ao mero aumento de tempo na escola, e confinados a uma prática que não lhes servirá como espaço de possibilidade de reapropriação de espaços de sociabilidade.
Para melhor compreensão do que afirmamos se faz necessário ressaltar que é pouco provável que a escola de Tempo Integral alcance o objetivo de seus idealizadores, se as condições quantitativas sufocarem as qualitativas.
É preciso ter cuidado para que a comida não seja o principal fator da nova proposta curricular. Como, acertadamente, "grita" a música dos Titãs: “a gente não quer só comida”. Alimentação não basta, precisa-se de uma educação de qualidade, de liberdade de expressão, de se viver uma vida digna, com respeito e valorização.
Rogério Barros de Lucerna é graduado em Pedagogia pela UFT e Coordenador Pedagógico na Rede Municipal de Ensino de Palmas.
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